Marketing verde e o incentivo às mudanças – Por Graziele Silva

Além das ecobags e suspensão dos canudos de plástico, o Marketing Verde (ou ecomarketing) envolve soluções de produção que utilizam recursos naturais de maneira responsável e sustentável. Ações que promovem redução de impacto ambiental, mas contando com ações economicamente viáveis, foco nos benefícios dos produtos ou postura geral da empresa em relação ao meio ambiente.

O marketing verde conta no geral, com 4 princípios importantes, os quais empreendimentos que apostam nesta estratégia devem se encaixar:

  1. ser ecologicamente correto;
  2. economicamente viável;
  3. socialmente justo e
  4. culturalmente aceito.

Seguindo estes princípios uma organização está se responsabilizando não apenas com a causa ambiental, mas também econômica e cultural, atendendo necessidades do consumidor através de atitudes e posicionamentos reais, comprometendo-se em ir além do que um simples “discurso verde”.

Esta estratégia ganhou maior influência nos anos 90, quando a conscientização do uso de recursos naturais e responsabilidade ambiental começou a se popularizar, estendendo-se também às organizações, e não só apenas às pessoas físicas.

Entre as práticas adotadas, o marketing se encaixa na divulgação e transparência destes processos e ações, informando o reduzido impacto ambiental e promovendo reações positivas frente aos consumidores e investidores.

Leia também: As marcas estão pescando! – Por João Carlos Zicard

Por falar em práticas e da divulgação comercial das mesmas, o marketing verde propõe-se a modificar ou sugerir transformações às atividades internas de uma organização, impactando no processo principal, isto é, através da reutilização da água de lavagens, elaboração de produtos secundários a partir de uma mesma matéria-prima, implantação de materiais permanentes ao invés dos descartáveis, quando possível.

O desafio (e a inovação) é criar soluções adequadas para a redução de impactos ambientais e incentivar novos hábitos mais sustentáveis, sem prejudicar a qualidade, o funcionamento e a lucratividade da organização, conquistando a credibilidade dos clientes, usuários e colaboradores.

Sobre inovação, leia também: Economia Colaborativa

Marketing verde em Ação: cases de sucesso!

Importante conhecer o contexto em que esta estratégia foi inserida no mercado, seus princípios e objetivos, no entanto, saber onde funciona e se realmente funciona são tarefas a serem realizadas por todos: quem propõem, quem executa e quem compra essa ideia.

Algumas companhias se empenharam e realmente fizeram o dever de casa, dando atenção especial à sustentabilidade percebida pelo consumidor:

Café Kayrã

A Fazenda Retiro de Santo Antônio, produtora do café Kaynã, marca criada em 2015, apresenta destaque quanto a sustentabilidade, com ações dentro e fora da porteira, entre elas rastreabilidade e segurança alimentar.

Em relação às questões ambientais: 33 ha da lavoura de café é arborizada, as oito nascentes da fazenda foram recuperadas e são preservadas; o reflorestamento já conta com 6 mil árvores nativas crescidas; todos os resíduos da fazenda são destinados corretamente, e a entrega do produto é feita de bicicleta.

A propriedade ainda conta com certificações importantes como Rain Forest, UTZ holandesa e da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), investindo na credibilidade em pautas socioambientais, trabalhistas e de qualidade para exportação.

As ações sociais focam na realização de visitas para escolas e um projeto com grupo de cegos que aprendem a separar grão verde, madura e seco, através do tato.

A comercialização do Café Kaynã é feita em embalagens de papel kraft: 100% reciclável e certificada pela FSC (Forest Stewardship Council-Brazi), que garante matéria prima proveniente de floresta plantada com manejo sustentável.  A impressão dos textos é realizada com tinta não-tóxica e as informações estão disponíveis também em braile.

3M

Numa parceria que deu certo, a 3M e a Terracycle, reciclam esponjas de lavar louça (sim!), com um projeto de logística reversa. O processo transforma esponjas descartadas (de qualquer marca) em resina plástica industrial, que por sua vez, pode ser matéria-prima para produtos como lixeiras, baldes e vasos. Ainda, podem ser derretidas por um processo de extrusão, dando origem a resina granulada, que depois viram pallets.

Tá, mas como isso acontece? Através de grupos de arrecadação! Uma pessoa interessada em reciclar, se inscreve no site e estabelece um ponto de coleta (condomínio, faculdade, hospital) e envia para a planta da empresa (instruções no site) a partir de 60 unidades de esponjas arrecadadas. Além do benefício ambiental, funciona como um programa de milhagens: o projeto doa R$0,02 por cada esponja enviada, dessa forma os consumidores ficam ainda mais engajados e podem escolher uma instituição sem fins lucrativos para receber a doação.

Recentemente a 3M comemorou 1 milhão de esponjas recicladas e, o próximo passo para fechar o ciclo de reuso, é produzir os próprios displays da marca Scotch-Brite a partir da resina plástica gerada.

Além dos cases apresentados, não podemos esquecer de empresas pioneiras (e gigantes!) quanto à sustentabilidade, responsabilidade social e ética. Nos links, você pode conferir outras propostas divulgadas através do marketing (verde!) praticado por essas organizações!

Natura: 14ª empresa mais sustentável do mundo

Nestlé: pautas ambientais que discutem emissões de CO2, resíduos e energia

Philips: trazendo uma abordagem social e ambiental

Avon: atuando nas operações, uso de material e embalagens e, reflorestamento.

 

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Graziele Silva

Graziele Silva

Graduanda em Ciências dos Alimentos na ESALQ/USP. Descobrindo as conexões entre Marketing e Alimentos. Acredita que o conteúdo vai unir todas as pontas sem nó do Universo.
Graziele Silva

Graziele Silva

Graduanda em Ciências dos Alimentos na ESALQ/USP. Descobrindo as conexões entre Marketing e Alimentos. Acredita que o conteúdo vai unir todas as pontas sem nó do Universo.

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