O Aumento da População Mundial e a Demanda por Alimentos

Autores do artigo: Eduardo Spers – Coordenador do MarkEsalq e Caetano Haberli – Consultor do MarkEsalq

O agronegócio de dentro da fazenda é responsável, em todo mundo, pela produção de alimentos e pela segurança alimentar dos países. O Brasil que está entre os três maiores produtores de alimentos, dentro da fazenda, do mundo tem papel de destaque e de importância estratégica.

Chegamos, em 2011, a 7 bilhões de habitantes. O relatório da ONU “Perspectivas da População Mundial: Revisão de 2012”[21] indica que a população chegará a 9,6 bilhões em 2050. Esse crescimento está previsto ocorrer principalmente nos países em desenvolvimento. A população das regiões desenvolvidas permanecerá  praticamente inalterada em torno de 1,3 bilhão até 2050. Porém, a população dos 49 países menos desenvolvidos deve dobrar de cerca de 900 milhões de pessoas em 2013 para 1,8 bilhão em 2050.

Observa-se no relatório que embora tenha havido uma rápida queda no número médio de filhos por mulher em grandes países em desenvolvimento, como China, Índia, Indonésia, Irã, Brasil e África do Sul, ainda deverá ocorrer um rápido crescimento, ao longo das próximas décadas, em países com altos níveis de fertilidade como a Nigéria, o Níger, a República Democrática do Congo, Etiópia e Uganda, além do Afeganistão e o Timor-Leste, onde há mais de cinco filhos por mulher.

A Índia deverá se tornar o país mais populoso do mundo, passando a China por volta de 2028, quando ambos os países terão uma população de 1,45 bilhão. Depois disso, a população indiana deve continuar a crescer e a da China começará a diminuir. Enquanto isso, a população da Nigéria deve superar a dos Estados Unidos antes de 2050.

Já a população da Europa deverá diminuir 14%, afirma o relatório, e o continente já está enfrentando desafios na prestação de cuidados e apoio para uma população em rápido envelhecimento.

De um modo geral, a expectativa de vida deverá aumentar nos países desenvolvidos e em desenvolvimento nos próximos anos.Em nível global, a previsão é de 76 anos no período entre 2045-2050 e 82 anos em 2095-2100.Até o final do século, as pessoas que moram nos países desenvolvidos poderão viver, em média, 89 anos, enquanto as que moram nas regiões em desenvolvimento devem viver cerca de 81 anos.

A humanidade vem, a cada ano, esgotando o orçamento da natureza. Relatório da Global Footprint Network (GFN) [22] , em parceira com a World WideFund for Nature (WWF) calculam a Pegada Ecológica do planeta. Dados mostram que a demanda anual da humanidade sobre a natureza ultrapassa a capacidade de renovação possível. A GFN faz o rastreamento do que a humanidade demanda em termos de recursos naturais, como alimentos, matérias-primas e absorção de gás carbônico – ou seja, a Pegada Ecológica – e compara com a capacidade de reposição desses recursos pela natureza e de absorção de resíduos.

Este relatório demonstram que, em menos de oito meses durante o ano de 2013, a humanidade utilizou tudo o que a natureza consegue regenerar durante um ano. O restante ficou descoberto. Na medida em que aumenta o consumo, cresce o débito ecológico, traduzido na redução de florestas, perda da biodiversidade, colapso dos recursos pesqueiros, escassez de alimentos, diminuição da produtividade do solo e acúmulo de gás carbônico na atmosfera.

No ritmo em que a humanidade utiliza os recursos e serviços ecológicos hoje, precisaríamos de um planeta e meio (1,5) para renová-los. Se continuarmos nesse ritmo, vamos precisar de dois planetas antes de chegar à metade do século 21. Hoje, em média consumimos 50% a mais do que o planeta consegue se renovar. Somente 25% da população mundial consome acima de suas necessidades. Portanto se os 7 bilhões de habitantes do planeta consumissem como os habitantes mais ricos precisaríamos de 6 planetas Terra. Bem, um reino de Avatar nos já perdemos no cinema. Onde iremos encontrar mais 5 planetas Terra?

Gráfico 01 – Uso indiscriminado do planeta Terra Fonte: Relatório Planeta Vivo 2006 – World WildFoundation / Global Footprint

Mais de 80% da população mundial vive em países que utilizam mais do que seus próprios ecossistemas conseguem renovar. Nem todos os países demandam mais do que seus ecossistemas são capazes de prover. Mas até mesmo as reservas de tais “credores ecológicos”, como o Brasil, diminuem com o tempo. Essa discrepância orçamentária que se alarga entre o que a natureza é capaz de prover e as demandas de nossa infraestrutura, economia e estilo de vida são insustentáveis do ponto de vista da produção de alimentos para 7 bilhões de pessoas.

O Produtor Rural deve desenvolver o seu marketing dentro da fazenda demonstrando a sua capacidade de cuidar, de renovar, de produzir alimentos dentro de um ecossistema equilibrado e com crescente ganhos de produtividade em detrimento do aumento de área de cultivo. A partir de agora chamaremos de o Marketing da Pegada Ecológica do Brasil (MPEB).

O marketing de dentro da fazenda deve estudar o que os consumidores do planeta estão querendo consumir de alimentos. A análise dos consumidores deve ser realizada pelos produtores para que eles possam desenvolver instrumentos de tomada de decisão para resolver o que e como devem produzir determinados commodities agrícolas com possíveis diferenciações. É o MPEB diferenciação competitiva.

O que há por fazer?

A evolução experimentada nos últimos anos como tratores e colheitadeiras de última geração, sementes mais resistentes, sistemas por satélite para decidir onde plantar estão cada vez mais presentes nas lavouras do Brasil. Porém, as melhores fazendas de cada cultura são muito mais produtivas do que a média da produtividade no país. Seguindo o ritmo atual de acesso às tecnologias de produção com um incremento de áreas não produtivas na cadeia do cultivo, a produção de grãos poderá aumentar 50% até 2013 [23] . A figura mostra o quanto a produtividade brasileira pode aumentar [24] .

A conclusão é que se as previsões se confirmarem, a safra brasileira poderá aumentar quase 50% em dez anos. O Brasil irá se aproximar do terceiro colocado no ranking mundial de produtores agrícolas 25 com um potencial de produção de 278 milhões de toneladas.

[21] Os dados do relatório são baseados em uma ampla revisão dos dados demográficos disponíveis de 233 países e
regiões em todo o mundo, incluindo a rodada de censos populacionais de 2010.

[22] Relatório Planeta Vivo – World Wild Foundation / Global Footprint

[23] Revista Exame, ano 47, número 21 de 13/11/2013, p 41 a 58

[24] A estimativa considera a produtividade media calculada para a safra 2011/20123. Fontes: Agroconsult,
Embrapa Passo Fundo, Abrapa e Ministério da Agricultura. Revista exame de 13/11/2013, p 45

[25] Revista Exame, ano 47, número 21 de 13/11/2013, p 45

Autores do artigo: Eduardo Spers – Coordenador do MarkEsalq e Caetano Haberli – Consultor do MarkEsalq

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Tawany Rocha

Tawany Rocha

Graduanda de Administração na ESALQ/USP. Clean Lifer apaixonada por empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e inovação. "Seja a mudança""
Tawany Rocha

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Graduanda de Administração na ESALQ/USP. Clean Lifer apaixonada por empreendedorismo, desenvolvimento pessoal e inovação. "Seja a mudança""

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